domingo, 31 de maio de 2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Gente grande

Uma sacola de plástico enooorme fica agora em cima de uma bancada no meu quarto. Todo dia ao menos um par de roupas colabora para aumentar seu volume. São os macacões e bodys que não cabem mais nos meninos. E olha que eu não desisto tão fácil, não. Chego a alargar um pouco as golas com as mãos para ver se passam pelas cabeças. Encolho suas barrigas à força para abotoar um casaquinho. Lindo por sinal! Lindo e... já com a sacola como destino! Incrível como os bebês perdem roupa rapidamente. Para me consolar, as pessoas até lembram que o Vitor e o Tomás usaram por bem mais tempo o enxoval de RN, já que nasceram prematuros. Não adianta: sinto uma coisa estranha a cada leva perdida. Um pouco por causa dos gastos mesmo - no meu caso em dobro. Mas a melhor justificativa é bem irracional. E um tanto louca, concordo. No fundo, no fundo, quero que eles permaneçam assim. Pequenos. Saudáveis, fortes, mas em um tamanho que caiba no meu colo, sabe? Me dá um aperto esquisito toda vez que percebo que, sim, eles estão crescendo. As mudanças acontecem numa velocidade acelerada demais para o meu gosto. Eu não lido bem com mudanças...

Outro dia, depois de um longo período enxugando os meninos com fraldas, a babá me deu quase um ultimato: "Está na hora de tirarmos suas toalhas do armário. Eles já são mocinhos!" Ai! Quase morri do coração. As fraldas P eu dei para a minha cunhada porque também já não havia jeito de grudá-las sem que o xixi vazasse. E, na semana que vem, o pediatra vai me orientar para introduzir frutas em sua alimentação. Ao que tudo indica, muito em breve, terei de comprar prato e colher para eles (pronto! Viraram gente grande e eu não me preparei para isso!).

Aliás, no caso das frutas, outro detalhe me preocupa. Desde que saí da casa dos meus pais, elas agem como inimigas minhas. Juro que tento ir ao supermercado no ínicio da semana, com uma listinha toda organizada para um cardápio saudável, mas ou compro demais - e dias depois sou obrigada a jogar no lixo o abacaxi e a caixa de figos estragados - ou compro de menos - e dias depois sou obrigada a comer novamente um chocolate de sobremesa (o que não é exatamente um drama, né?). Agora, com o Vi e o Tom, no entanto, produtos em lata ou pacote estão descartados por enquanto. Ou seja, além de ter de lidar com esse crescimento aceleradíssimo da dupla, vou ter de fazer as pazes com o mundo colorido dos sabores que brotam da terra. É... Logo, logo, vou esnobar por aí com o que eu chamo de "geladeira de mãe", cheia de frutas, legumes, verduras. Vai ser um orgulho só! Enquanto eles viram gente grande, me empurram para esse posto também.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Outra tarde

Não tem um programa que me interesse na televisão à tarde. Entre uma mamada e outra, portanto, sobra tempo para os mais pertinentes delírios. Enquanto dou seqüência ao exercício mais popular na minha academia particular - o empurro de carrinho duplo com as pernas - penso muito. Tudo coisa séria. E que divido agora com vocês para que me ajudem a chegar a algumas decisões:
- eles vão me reconhecer quando ficarem o dia todo com a babá?
- eu vou gostar de suas namoradas?
- o que será que eles vão ser quando crescerem?
- vou ter dinheiro para levá-los à Disney?
- vou ter dinheiro para ir com o Pablo à Europa e ao Japão? (ok... essa foi meio egoísta...)
- vou ter dinheiro para pagar colégio, faculdade, dentista?
- estou tirando foto suficiente para não me esquecer de nada?
- será que depois do sufoco da UTI eles agora engordaram demais?
- minhas calças vão me servir daqui a duas semanas ou preciso comprar roupa para trabalhar?
- eu vou gostar de suas namoradas?
- será que eles já sabem da existência um do outro?
- qual deles fez cocô hoje?
- que carro precisamos comprar para caber o carrinho, os bebês-conforto e as malas?
- preciso comprar fraldas, latas de leite, pomadas e bolinhas de algodão hoje?
- eles vão ser bons alunos?
- eles vão curtir futebol, literatura, música e... exposições? (sim... exposições... nem que seja para me fazer companhia de vez em quando, vai...)
- eles vão gostar dos padrinhos e madrinhas que escolhemos para eles? (sem querer pressionar os nossos escolhidos, claro!)
- vou conseguir manter a casa com comida sempre fresca na geladeira?
- vou conseguir trabalhar, cuidar da casa, fazer supermercado, ir ao cinema, ler, escrever, manter os amigos por perto e ainda brincar com eles o suficiente?
- eu vou gostar de suas namoradas?
- eles vão ter orgulho da nossa família?
Como podem ver, minha cabeça anda muito ocupada. E não será nada surpreendente se minha terapeuta me expulsar na próxima consulta.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Lado a lado

Tom (esq.) e Vi (dir.): 29 de janeiro, na UTI do hospital

Hoje, o Tomás acordou umas sete da manhã, berrando. Muito. Ele tem uma personalidade forte. Quando não quer conversa, não há quem consiga lhe arrancar um sorriso. Mas, também, quando está de bom humor, distribui caretas fofas e simpáticas até para uma parede - é sério isso, não é modo de falar, não. Bom, hoje: levantei meio assustada e tentei acalmá-lo com a chupeta. Normalmente, só abrimos a janela em sinal de "bom dia" lá pelas oito. O Tom, no entanto, não parou de reclamar. Depois de umas quatro tentativas, alternadas com o pai, resolvi trazê-lo para a nossa cama. Estava ainda meio tonta de sono. Abri a blusa do pijama e dei o peito. Ele agarrou meu seio com uma vontade que fazia tempo que eu não via. Fechou os olhos de satisfação. Depois, ficou me encarando, como quem agradece, sabe? Mamou por quarenta minutos. Sem parar. O Tom acordou com fome e eu pude ajudá-lo. Ai... pode soar meio melancólico este texto mas, como vocês já estão avisados, me preparo espiritualmente para a volta ao trabalho. E isso implica em deixar de amamentá-los. Bem, vou tentar fazer isso ainda de manhã e à noite, mas sem a rotina de mamadas a cada três horas (agora quatro) sei que, aos poucos, o leite vai secar. E isso dá uma dorzinha chata e aguda no peito (não resisti ao trocadilho!).
As mães vão me entender: o começo dessa relação com os filhos é bem difícil. O seio dói, o leite vaza, empedra, a gente tem febre. Demora até atingirmos a fase do clichê "amamentar é a melhor coisa do mundo". Lembro que, por um tempo, duvidei bem de que fosse dizer isso um dia. Pois agora eu repito a toda hora: amamentar é mesmo a melhor coisa do mundo. Os médicos falam que quando são bem novinhos, os bebês enxergam só a uma determinada distância. Como calculá-la? É exatamente a distância que ficam do rosto da mãe quando estão mamando. Por isso nos reconhecem tão rápido. Ficar com eles assim, pertinho da gente, é desses momentos que nem devem ser muito descritos porque caem numa pieguice longe do que de fato ocorre. Não dá para explicar. Melhor só sentir.

E, pra mim, amamentar teve um gostinho especial ao longo desses meses porque me preparei muito para enfrentar a possibilidade de não conseguir viver essa experiência. Sabíamos de antemão que eram grandes as chances de eu não ter leite por causa do parto prematuro. Meu leite desceu, mas os meninos ficaram um mês na UTI e, nesse período, receberam o meu leite por sonda e depois por mamadeira, já que não dispunham de força para sugar direito. Só mais tarde é que pude colocá-los no meu peito. E aí havia o risco de eles recusarem o exercício. Mas os dois se lambuzaram como se viessem fazendo isso desde o primeiro dia de vida. Nossa! Foi uma alegria. Na manhã de 29 de janeiro, os dois mamaram juntos pela primeira vez, na sala da UTI semi-intensiva do hospital. Eu escutava essa sugestão de dar o peito para eles ao mesmo tempo nos cursos de gestante, mas, de novo, pensava que era mais conversa de enfermeira ou cena de propaganda de margarina. Nunca sonhei em protagonizar algo assim. Nunca imaginei que fosse ainda achar a estratégia bem prática. Pois durante dois meses e meio, o Vitor e o Tomás mamaram lado a lado. Só parei de colocá-los juntos quando ficaram pesados e compridos demais. Deixar de ter os dois nos meus braços, na mesma hora, foi difícil. Agora, me aproximo de deixar a amamentação de vez. Poxa! Valeu muito enquanto durou! Já sinto saudade.

domingo, 24 de maio de 2009